domingo, 29 de novembro de 2009

DE FORA



-EI VOCÊ, QUE ERGUE MUROS,  SOU EU,  A QUE CONSTROE PONTES... 





PERSONAGEM



Por que não percebeu que sempre foi vários há muito tempo?
amigo e inimigo
boxeador e nocauteado
traficante de emoções devidamente escondidas, ilícitas
vitíma e criminoso de seus próprios caprichos
desempenha tantos papéis que às vezes confunde qual
entidade está presente...
Mas por vezes cai, demora um tempo prá recobrar os sentidos
Situa-se
Lembra quem precisa ser naquele momento, levanta
e entra em cena.




sexta-feira, 27 de novembro de 2009

VIDA

Há quem ache a moça romântica...
Nostálgica
Entretanto sentir emoções, cingidas à pele
Nada tem a ver com amor
Mas com o viver inquietante




LUTA

Às vezes sinto que vou sucumbir...
Ao medo, desesperança e o inevitável
Mas ao ser engolida
O buraco me vomita
Incomodo tanto...
Sou indigesta, teimosa, faço volume e então
Surjo, suja, descabelada, vomitada
Com uma força chorosa, quase imperceptível
Me debato por aqueles que amo
Supero o que faz vontade
de desistir





ÍNTIMO



Calor, praia...
Luxuriante e lascivo...
Escuto em meio ao silêncio
As lambidas do mar na areia
Quente e úmida
Ela permite
Ele naturalmente, sobe e avança
Luz, agora
Estrelas...prá que mais?
Realça o essencial
Cenário perfeito
Cintilante
Brilho prata
Movimentos ondulares
Nada sólido ou geométrico
Nem claro e definitivo


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eu te amo



Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armários embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica como que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

Tom Jobim e Chico Buarque


domingo, 22 de novembro de 2009

AMOR


O QUE É O AMOR SENÃO NÃO TER DIMENSÃO DO COMEÇO, MEIO E FIM...


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

FILHOS


Para o resto da minha vida quero...
Aquele brinquedo, o dente que caiu...
A carícia mais doce, o olhar procurando o meu...
Apenas para buscar minha aprovação,
Roupinhas sujas, pés descalços
Brigas na escola
O não querer contra o meu querer
Dedinhos sujos de doce, sorvete
cheirinho de chiclete
Brincadeiras, cócegas
Lágrimas e gargalhadas
Conto de fadas
História para dormir
Abraços e soninhos que só filhinho tem 
Beijinho de mamãe que cura
Dores de garganta
corridas ao hospital
Noites mal dormidas,
Sozinha nunca mais,
Cheirinho de vocês.





mulher


Talvez não houvesse em meu olhar
a malícia e a dor
Em meus modos, trejeitos
de uma inocência lânguida,
deu-se lugar ao real, maduro
Notando-se assim a sensualidade
do meu ser
Tornei-me mulher ao espelho
e aos que me viam com outros olhos 


quarta-feira, 18 de novembro de 2009


Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Florbela Espanca

terça-feira, 17 de novembro de 2009

CÓPIA


Hummm! Identidade literária(abuso!), que seja minha?
Já que quando me volto para dentro ouço o eco de outras almas(acho que tô possuída!)
mesmo desconhecidas para mim, mas em comum, tão inquietas quanto...
Mas isso prova, que sou comum, vida comum, sem grandes pretensões.
Inclusive a de não querer surpreender...



domingo, 15 de novembro de 2009

COR


O cúmplice, do mortificacante dia a dia,
Esgueirando-se por entre abraços
esquecidos, dores dissolutas...
Sorvendo cada resto de ar,
que sai daquele peito fatigado.
Onde está minha alma?
Corro lápis, instrumento lúdico
em minhas mãos, totalmente sem cor
É cinza e gélido...
Contrasta com a cor dos meus sonhos,
coloridos, indefinidos...
Alguém disse-me para não notar essa cor,
desmascarar o vínculo
Cair na real
Mas talvez, sonhos pálidos 
apareçam...
E tudo acaba

      

CONFUSÃO



E a cor do rabisco que deixei?
Por onde anda o aroma 
do outro dia vivido por nós?
Tentou me enganar
aproveitou a oportunidade,
dentro daquele texto robou-me a verdade
Mas não quero a verdade, 
Busco o sentido
ambíguo, 
vivido à flor da pele
Confusa, quase sem jeito
tento esquecer o que não me é essencial
sem cair na monotonia...
E lá vem você, de novo me confundir,
dar a cor e arrancar.
E dá com a mesma força que tira.
Mas ainda quero,
infinitamente,
até que não te aguente mais 


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

TRISTE VERDADE



HOJE ESTOU PRÁ CHORAR...
ALGO SOMBRIO PENETROU
EM MINHA ALMA...
OLHO LÁ FORA ESTÁ TUDO ESCURO
MAS DIZEM QUE HÁ SOL...
ME CUBRO COM ROUPAS QUENTES
E DIZEM QUE O CALOR ESTÁ DE MATAR
MINHAS MÃOS ESTÃO GÉLIDAS
MEU ROSTO PÁLIDO
MEUS OLHOS ENEVOADOS
UMA FIGURA TACITURNA
ONDE ESTÃO AS CORES?
QUE MEUS OLHOS PINTAM
SEMPRE SEM MEDIDA...
SE OLHAR PRÁ DENTRO DE MIM
VEJO E SINTO UM VAZIO...
HOJE PRECISO QUE ENTENDAM-ME
QUE ACARINHE-ME,
PRECISO DE ALGO QUENTE E  DOCE
SEJA EM PALAVRAS OU PRÁ COMER
HOJE PRECISAVA DE VOCÊ


MUSA


TALVEZ EXPULSE DE MINHA ALMA
PENSAMENTOS AGONISANTES
QUE REMOEM POR OUTRA ALMA
QUE MESMO SEM TER ALMA NÃO
PERCEBE QUE A TEM...
MAS SEM ESTES PENSAMENTOS
TALVEZ TAMBÉM FALTE-ME A
INSPIRAÇÃO, DOLORIDA, SUAVE
QUE FAZ-ME MERGULHAR...
E POR ESSA DUVIDA DO FUNDO SEM
FIM, NÃO SEI QUANDO BATO O PÉ
PARA PODER EMERGIR
SERÁ QUE QUERO?

ERRADO



PODE SER, QUE ME ESCONDA
OU USE DE FORMA INAPROPRIADA,
UM RECURSO VIL PARA JUSTIFICAR
ATOS, ESSES QUE NÃO SÃO TÃO
IMPENSADOS, MUITO MENOS
INOCENTES...
RECORRO AO PROFUNDO, E LÁ
ME ESCONDO...
FECHO OS OLHOS E TUDO
TUDO FICA BEM...


sábado, 7 de novembro de 2009

NOVO

Quando penso que você já foi,
olho com outro olhar e te vejo difente...

29102009




O QUE FAZER NO ESCURO ONDE TODOS OS GATOS
SÃO PARDOS, TATEANDO PARA SENTIR...


REFLEXO



Por que nos seus olhos enxergo a mim?


INCONFESSO DESEJO

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo

Carlos Drumond de Andrade

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PABLO

Não te quero senão porque te quero

e de querer-te a não querer-te chego

e de esperar-te quando não te espero

passa meu coração do frio ao fogo.

Te quero só porque a ti te quero,

te odeio sem fim, e odiando-te te rogo,

e a medida de meu amor viageiro

é não ver-te e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz [...]


Pablo Neruda in Soneto LXVI

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Carta a um estranho íntimo



Você supõe que me conhece...
Não é você quem segura minhas mãos
quando sinto dor, no corpo ou na alma...
Não é você quem consola quando não
consigo controlar as lágrimas...
Por isso, não se preocupe não estou
e não há mínima possíbilidade de me envolver
além disso...
Somos o momento, me enlaço em você e digo
o que acho que pede o momento, e o que eu gosto
de ouvir da minha boca...
às vezes não tão verdades, às vezes não tão mentiras
Você não me conhece , nem supõe quem sou...
Apenas imagina...
Não sinto a necessidade de todo tempo articular
frases, ou mesmo parecer e mostrar inteligência.
Tão pouco artifícios programados...
Mas confesso, emburreço quando ouço coisas absurdas,
que não se encaixam na situação ou ferem meu bom senso!
Digo que não tenho dúvida da mulher que sou,
mas não quer dizer que não tenho dúvidas...
Coleciono  algumas certezas, uma delas é que
muita teoria faz mal...
E entre tropeços e acertos todos vividos, tiro o melhor
de cada situação...


terça-feira, 3 de novembro de 2009

SEGREDO

COM O GAS LIGADO,
DURMO COM VELAS ACESSAS
ANDO POR BECOS ESCUROS
VIVO COM PORTAS DESTRANCADAS
POUCAS CERTEZAS TENHO
SEI QUE SOU FRÁGIL E PERECÍVEL
 MOSTRAR-ME?
PRÁ QUÊ?
MUITO MENOS QUEM REALMENTE SOU
INTÊLIGENCIA, FRASES ARTICULADAS
USO QUANDO PRECISO
APRENDI QUE POSSO LIDAR COM AS DUAS DE MIM
DIVIRTO-ME COM SUPOSIÇÕES
MAS SOU ALÉM DE TUDO ISSO
SEM ADJETIVOS
PARA TENTAR PRESTAR ATENÇÃO
LEMBRE E PENSE LIVRE
PODERÁ ENCONTRAR-ME
 NAS PÁGINAS DE BAUDELAIRE
 NA IGREJA,
EM QUALQUER LUGAR
ONDE SOU NECESSÁRIA,
TENTO ME ENCONTRAR

momento meu sem tempo definido, espaço meu ,sem paredes ou conceitos onde digo o que quero mesmo a quem não quer ouvir pois essa sou eu mesma a quem às vezes não quero ouvir

APRECIADORES

TENTANDO DESCOBRIR...

Minha foto
NA DUALIDADE DE MINHA ALMA ANDO CONFUSA...