sábado, 24 de julho de 2010

TEATRO AO LONGO DO TEMPO

Ela seria vista como, se soubessem seu ardor à arte...?A arte de dissimular, fantasiar.
Mas lhe parecia fácil e tão atraente, divertindo-se atrás das cortinas certa de mais um ato encenado, com perfeição!!!
 

A verdade na leitura da pele

"...e ela lhe respondeu: Talvez porque quando esteve comigo, não tinhamos rótulos, despi não somente a roupa que vestia..."  


"Tinham passado um dia e uma noite inteiros nus, juntos, e durante a maior parte desse tempo não mais do que alguns centímetros afastados. Desde bebé que ninguém, além dele próprio, tivera tanto tempo para examinar como era feito. Como não havia no longo e pálido corpo dela nada que ele não tivesse observado, nada que ela tivesse ocultado e nada que ele não conseguisse recordar agora com uma percepção de pintor, com o conhecimento estético meticuloso e excitado de um amante, e como passara o dia inteiro não menos estimulado pela presença dela nas suas narinas do que pelas suas pernas abertas nos olhos da sua mente, a conclusão lógica era que não podia haver no corpo dele nada que ela não tivesse absorvido microscopicamente, nada naquela extensa superfície onde estava gravada a sua singularidade evolutiva auto-adoradora, nada na sua configuração única como homem, na sua pele, nos seus poros, nas suas patilhas, nos seus dentes, nas suas mãos, no seu nariz, nas suas orelhas, nos seus lábios, na sua língua, nos seus pés, nos seus testículos, nas suas veias, no seu pénis, nas suas axilas, no seu rabo, no emaranhado dos seus pêlos púbicos, no cabelo da sua cabeça, na penugem do seu corpo, nada na sua maneira de rir, dormir, respirar, nada nos seus gestos, no seu odor, no modo como estremecia convulsivamente quando se vinha que ela não tivesse registado. E recordado. E reflectido sobre.
A causa disso era o acto em si, a sua intimidade absoluta quando não só estamos dentro do corpo da outra pessoa como ela nos envolve estreitamente? Ou era a nudez física? Tiramos a nossa roupa e deitamo-nos na cama com alguém, e é na verdade aí que vai ser descoberto o que quer que escondamos, a nossa particularidade, seja ela qual for e seja como for que esteja codificada, e é aí também que está a origem da timidez e o que toda a gente receia. Quanto de mim está a ser descoberto nesse louco lugar anárquico? Agora sei quem és."



Philip Roth in A Mancha Humana

sexta-feira, 23 de julho de 2010

ALMA-FOGO

"...Invariavelmente, projetamos, desejamos à medida dos nossos sonhos...
Como mudamos com frequência, nossos desejos também mudam e consequentemente as paixões...
Mas o amor... ah essa é outra história...só não posso contar, porque ainda não vivi nenhuma...
Isso pertence às almas- vento, eu sou alma -fogo..."

Toy

If the past is the problem, our future could solve them, I could bring you life, if you let me inside
This will hurt, but in the end, you'll be a man...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Somente para ela...

De manhã escureço ( padeço )
De dia tardo ( amargo )
De tarde anoiteço( arrefeço )
De noite ardo ( fardo )

A oeste a morte (sorte)
Contra quem vivo ( sobrevivo )
Do sul cativo( destino )
O este é meu norte( profundo corte )

Outros que contem ( mintam)
Passo por passo:
Eu morro ontem (ressucitam )

Nasço amanhã ( ou não nasço )
Ando onde há espaço:( ao seu lado )
– Meu tempo é quando ( eu amo )

Ele e Vini

terça-feira, 20 de julho de 2010

Apaixonada

                                 ...na curva do meu pescoço, onde o ombro faz um vértice...aconchegue-se
                                Conte-me seus segredos, encaixe o inconfessável, mostre-me que sei ser doce...

domingo, 18 de julho de 2010

Quem saiba, esteja feliz com a vida que reinvento todos os dias,  o bem-estar manipulado, civilizado ou não, ortodoxo ou não.O que me interessa é o resultado, não a composição, delicioso é ver-me ao longe, direi isso quantas vezes achar necessário, bebendo meu vinho no gargalo, quem me disse:  és Capitu! Tem razão.

sábado, 17 de julho de 2010

distorcida

Difícil o encontro.Parece liso meio díficil.O meu rabisco no perfil de uma superfície. Engula rápido. Se o resto adiante é uma máscara difícil. Venha e esqueça.Se olhe passivo, de quatro, como eu às vezes fico. Simples abismo. Um breve adjetivo basta.O breve é de todo tolerado. O prá sempre muito tempo. Em nome do "use" ache paixão sem crueldade.Cerque, sufoque. De repente eu caio fora do centro, saio dessa, ou dentro do longe, não interessa o preço, bom é o risco. Figure meus rabiscos em sua estante fria e organizada ,tranque a chave sob a teia. Encontre minha força hoje, depois das dez, depois de descansar a cama. Rabisque a solidez no perfil de novo. Mapeie minha história num desenho nítido.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Outra mulher, mais frio e muito vinho

                                                                         Vai...e talvez não volte...Não essa, outra...
Impressionante o efeito da altitude nos pensamentos...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

PROFUNDIDADE

                                                 O olhar que me encontro, me perdendo para sempre ...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Porcelana

"...-Não sou mulher para você...
Enquanto a espera, entre uma dose e outo cigarro, lembra das ultimas palavras, ouviu quase sem acreditar Ditas, assim de qualquer jeito, com crueza, que só dela poderia esperar.
Mas era tão doce quanto fria, como sabia ser assim?Uma mulher, com reflexos racionais, sabia jogar e deixa-lo ao chão.Preocupava-se apenas entre ser e ter, perseguia qual sonho?
O que rondava e assombrava as noites daquela mulher, para fazê-la cada vez mais distânte?
Mais deliciosamente intocável..."

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Uma mulher, frio, tango e mudanças...

Nela é assim
A cada mudança, sobram restos, frações...
Pequenos vícios perduram, como coisas no fundo da gaveta...
Duplicam-se ao mesmo tempo que diluem-se em doses homeopáticas
Vida, sentimentos, desejos, anseios e dores...
E quando afasta-se, vê-se ao longe, percebe detalhes...
Não saber amar, não é o mesmo de não querer...
Há quem não nasceu para isso...
Justifica estar sempre recomeçando, sempre de mudança...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Tempo verbal incorreto

Um dia lhe darei meu endereço...
Poderá pisar no meu palco
Desvendar-se-a ...
Caminhará por entre pensamentos meus,
escolherá aquele que te justifique
aquele que me justifique
Será abandono ou entrega
conclusivo e decisivo...
Entretanto, por agora...
Fica assim,
Conhecendo frações minhas...

sábado, 3 de julho de 2010

compulsório da ilusão...



"[...] não há bons tempos, só há tempos. Nada de saudosismo, saudosismo é uma espécie de masturbação sem verdadeiro prazer, uma intimidade atravancadora, que no máximo pode ser empregada para brincadeiras, mas geralmente é perda de tempo mesmo."




João Ubaldo Ribeiro in A Casa dos Budas Ditosos

Os Meios para Sermos Felizes

É comum pensarmos que é difícil ser-se feliz e existem boas razões para assim pensar; mas seria mais fácil sermos felizes se, nos homens, as reflexões e a pauta de comportamento precedessem as acções. Somos arrastados pelas circunstâncias e entregamo-nos às esperanças, que nos proporcionam apenas metade do que esperamos. Enfim, só nos damos claramente conta dos meios para sermos felizes quando a idade e os entraves que a nós próprios pusemos lhes colocam obstáculos.
(...) Para sermos felizes, é preciso termo-nos desembaraçado dos preconceitos, seremos virtuosos, gozarmos de boa saúde, termos gostos e paixões, sermos susceptíveis de ter ilusões, pois devemos a maior parte dos nossos prazeres à ilusão, e infeliz daquele que a perder. Longe, pois, de procurarmos fazê-la desaparecer sob o archote da razão, tratemos de passar mais uma camada do verniz que ela lança sobre a maior parte dos objectos; este é-lhe ainda mais necessário do que os cuidados e os adornos o são para os nossos corpos.
É preciso começarmos por dizer a nós próprios e por convencer-nos de que não temos nada mais a fazer neste mundo, para além de nele procurarmos sensações e sentimentos agradáveis. Os moralistas que dizem aos homens «reprimi as vossas paixões e dominai os vossos desejos se desejais ser felizes» não conhecem o caminho para a felicidade. Só somos felizes mediante gostos e paixões satisfatórias; digo gostos porque não somos sempre felizes o bastante por termos paixões e porque, à falta das paixões, não resta senão contentarmo-nos com os gostos.



Madame du Chatelêt, in 'Discurso sobre a Felicidade' 1779

Pacto de sangue

A ele tranporta vida, alimenta suas entranhas
Dá-lhe cor e movimento, mete-lhe medo
Curar, limpar, contagem(em câmara ou não)
Prognósticos...diagnósticos
Remissão total ou demissão para respirar
Faz da vida a rotina em vermelho
Cria atalhos para permissões não concedidas
Libertou-o
Deu asas


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Hoje me procurando te achei, e encontrei sua infinitude...
E quando olhei, não vi...
Não me encontrei...


"...incontestável o prazer de às vezes sentir-se anônima perigrinar sozinha, mas somente às vezes..." 
 Ali ninguém sabia da sua vida secreta com as palavras. E ela conseguiu habituar-se à ideia de não mais perder-se em histórias inventadas no fundo de um ecrã e entranhadas em músicas doridas. Encontrou silêncio e uma paz repentina. Ali todos lhe acenavam os bons dias: o segurança oferecia-lhe cerejas todas as manhãs e o engenheiro mais simpático dava-lhe boleia para casa ao final da tarde. Ali pôde aprender a ser a feliz em gestos simples. Deixou de escrever, abandonou-se à rotina e depressa esqueceu os sentimentos. Ali matou amores que pareciam durar para sempre e arrumou o coração bem arrumado. Ainda tentou lembrar-se de acontecer mas só encontrou nevoeiro do outro lado do espelho. Ali talvez se tenha apagado. Ou então deixou cair a máscara - sem querer - e revelou toda a sua consumição sem pensar duas vezes. Ali os rostos mudavam de expressão a cada novo olhar e ela percorria os mesmos caminhos sem grandes perguntas, respostas ou inquietações. No embalo das horas, os dias eram iguais. E isso era bom. A começar pelo fim, apeteceu-lhe nunca mais voltar ao início. Deixou de dançar. Depois as circunstâncias fizeram o resto: anestesiaram-na de tal maneira que ela não olhou mais para trás. E assim nunca mais esperou o herói que nunca chegava.
momento meu sem tempo definido, espaço meu ,sem paredes ou conceitos onde digo o que quero mesmo a quem não quer ouvir pois essa sou eu mesma a quem às vezes não quero ouvir

APRECIADORES

TENTANDO DESCOBRIR...

Minha foto
NA DUALIDADE DE MINHA ALMA ANDO CONFUSA...